O Facebook, o GDPR e o (des)respeito com os dados dos clientes

Em abril, o noticiário foi dominado pela descoberta de que os 87 milhões de usuários do Facebook – incluindo seu proprietário, Mark Zuckerberg – tiveram os dados pessoais acessados pela consultoria política que trabalhou na campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e na votação para decidir a saída do Reino Unido da União Europeia, a Cambridge Analytica. Apesar de o Facebook ser a rede social mais popular do mundo, ficou claro que algo aparentemente inofensivo como um teste de personalidade é suficiente para provocar o vazamento de milhares de dados de usuários. Não é mais novidade que os internautas ficaram furiosos, mas será que este escândalo, juntamente com a introdução do General Data Protection Regulation (GDPR) será o catalisador que finalmente causará uma transformação na maneira como as empresas e os seus clientes enxergam a proteção de dados? Isso só o tempo vai dizer.

O que sabemos, com certeza, é que esta não é a primeira vez que informações pessoais caem em mãos erradas ou são compartilhadas sem o consentimento de seus proprietários. A última pesquisa global divulgada pela Norton, empresa especialista em cibersegurança, aponta que 978 milhões de pessoas foram vítimas de cybercrimes no ano passado. A perda financeira desses ataques é estimada em US$ 178 bilhões. Quem não se lembra que o WannaCry afetou, em 2017, 99 países, incluindo a China, a Rússia e a Espanha? O ataque deste ransomware entrou para a história como um dos maiores já realizados em todo o mundo.

Não há dúvidas que manter a privacidade de dados continua sendo um grande desafio para as empresas e os seus clientes, mas o que precisa mudar para que os usuários da rede possam se proteger?

Educação é o primeiro passo

Um levantamento realizado pela desenvolvedora e fornecedora de software e hardware de segurança Sophos indicou que atualmente as pessoas estão mais preocupadas com crimes virtuais do que crimes físicos.

Claramente, as empresas podem e devem fazer mais para garantir que seus clientes permaneçam seguros, desde tomar medidas de prevenção a educar os clientes para que eles saibam como agir caso sejam hackeados. De acordo com o Symantec Internet Security Threat Report, apesar de ter havido uma aumento de 13% na vulnerabilidade dos dados disponíveis na rede, as pessoas não sabem a quem recorrer para pedir ajuda.

Assuma esta responsabilidade

É comum pensarmos que nunca seremos alvos de crimes cibernéticos. Assim como ocorre com os “crimes comuns”, sempre acreditamos que as vítimas dos crimes cibernéticos sempre serão os outros. Contudo, os números mostram que isso não é verdade. Uma pesquisa realizada pela Norton revelou que 10% da população mundial sofre com ataques cibernéticos todos os anos. Dentro de um futuro próximo, seremos todos vítimas de crimes cibernéticos, ou todos conheceremos sequer uma pessoa que fora diretamente impactada por eles.

Independentemente de como um erro ocorre ou a quem é atribuída a culpa por ele ter acontecido, algo é certo: ele sempre tem um grande impacto, seja pessoalmente, financeiramente ou ambos.

Instituições como bancos e seguradoras precisam munir seus clientes a fim de que eles tenham ferramentas para se proteger – seja por meio de serviços que escaneiam máquinas e contas à procura de riscos em potencial, seja por meio de um processo de instrução que ajude a disseminar conhecimento e criar consciência. Este é o tipo de serviço que incentivará não apenas ampliação da segurança, mas também “brand advocacy”.

À medida que as instituições financeiras e as seguradoras passarem a oferecer serviços que despertam a conscientização dos consumidores, ajudam a assegurar a privacidade de dados e reforçam a segurança na rede como um todo, elas passarão a conquistar também a fidelidade dos clientes.

Graças ao Facebook e à avalanche de violações de dados ocorrida no último ano, o cyber crime e a privacidade tornaram-se questões mais delicadas do que nunca. Empresas e consumidores devem enxergar essa nova realidade como uma oportunidade para mudar seus caminhos e construir um ecossistema no qual os dados estejam seguros da maneira mais efetiva possível. Para isso, é fundamental que as empresas eduquem e capacitem seus clientes para que possam se proteger, sem deixar, no entanto, de lhes proporcionar tranquilidade. Falhar nessa missão é causar, inevitavelmente, perda de informações, de confiança e de clientes.

 

*Image credit www.thoughtcatalog.com